quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Espinhos

espinhos
rasgaram minha pele
cortaram o meu rosto
espetaram os meus dedos

querer andar descalça na caatinga
esquecer o que a mãe ensinou
largar as alpercatas no alpendre
queimar o pé na pedra quente

espinhos
eu já nem mais os vejo
arranquei como pude
e ainda doem os dedos

botar os pés na terra vermelha
caminhar onde o barro rachou
colecionar besouros cascudos
catar umbu ainda verde

espinhos
mandacaru favela
macambira facheiro
faço deles meus brinquedos

subir bem lá no alto do lajedo
desobedecer o que o pai ordenou
gritar aos quatro cantos meus desejos
deixar se ver por toda gente

espinhos
se enroscam em minha volta
fazem sangrar meu corpo
É o que dá viver sem medo


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