segunda-feira, 11 de julho de 2022

Avesso


E torna a acontecer em nós um tempo não havido, o muito-e-pouco amor que não tivemos, paixão que nos abocanhou de assalto como serpente alerta para o bote. Tantas coisas pensadas, o ensaio de dizê-las, a tentativa de dizer o que não foi dito. A dor da vida que por ser vivida é também prazer e é delícia, meu amor se amolda nessa falsa paz de pedras onde firo e sou ferida.


Força é lamber o sangue derramado nessas mesmas pedras, falso rio, em que visceralmente - melhor: uteralmente domo, sou domada.


Olga Savary


sábado, 16 de abril de 2022

 Você me olhava

Com os olhos arregalados
De medo e desejo
Como se estivesse
Prestes
a mergulhar
                     no mar
Sem saber nadar 

domingo, 30 de janeiro de 2022

Quando eu achava 

que já tinha te esquecido

Sonhava contigo

E acordava confusa

Com uma saudade desesperada





quarta-feira, 4 de agosto de 2021

Dançando de olhos fechados

 Sonhei contigo. De novo. Era tão leve, nítido.

Estávamos na cozinha da casa da minha avó. E todos os outros tinhas saído de casa. 

Eu te olhava, ríamos. Eu levantava e ia decidida até você, que estava sentado na janela. Segurei o teu rosto (como você fazia) e  aí você levantou e me abraçou. Eu correspondi firme. O abraço virou uma dança. Nos balançando colados. Eu fechei os olhos, você me conduzia. Eu não lembro qual a música (e se havia). 

sábado, 5 de junho de 2021

Saudade

Saudade já saudade
antes saudade
amor de te não ver
porque pressinto

se sinto que te ter
é não saber
distância já agora
e que não minto

Amor de que me calo
e te não digo

amor já saudade
já instinto

Maria Teresa Horta

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Amavisse - XIII

Extrema, toco-te o rosto. De ti me vem
À ponta dos meus dedos o ouro da volúpia
E o encantado glabro das avencas. De ti me vem
A noite tingida de matizes, flutuante
De mitos de água. Inaudita.
Extrema, toco-te a boca como quem precisa
Sustentar o fogo para a própria vida.
E úmido de cio, de inocência,
É à saudade de mim que me condenas.

Extrema, inomeada, toco-te a mim.
Antes, tão memória. E tão jovem agora.

Hilda Hilst

sexta-feira, 26 de março de 2021

2 anos

foi a última vez que te vi

 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

 Eu queria te desejar feliz ano novo.

Um ano com encontros possíveis novamente.

Abraços...

Queria que você também quisesse


quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Ainda

 Só volto aqui pra isso.

Você não some. Quero te esquecer

Mentira

Não quero te esquecer

Tenho medo te esquecer

Você já me esqueceu faz tempo

Você já me lembrou?

Você nunca me perguntou nada 

É, você nunca quis saber

Você já quis me ouvir?

Como sou bestinha, né 

Às vezes parecia tão certo

Tão na cara

Você notou? 

Porque não me beijou?

Porque fugiu antes que eu falasse?

Da última vez que eu te vi 

Eu te disse: é a última vez...

E você fez uma cara 

Como se eu tivesse dito

Tou com corona vírus

E fugiu

Eu nunca mais vou te ver?

Nós vamos sempre fugir?

Tenho fotos suas aqui...

Eu queria te ver 

Eu queria conseguir falar contigo 

naturalmente, sem ensaio , sem drama 

Ah, sou a última que ainda gosta de ligação 

Bem que você poderia me ligar de surpresa

E me dizer tudo que eu queria ouvir 

Um papo leve , ouvir tua gargalhada

Eu te vejo como um menino

Eu sei. Sou bem mais nova 

Mas, eu também me sinto assim

Somos dois pirralhos 

"Volver a Los diecisiete"

Em meu sonho, só eu brotei...

Eu me sentia tão vulnerável

Coisas da paixão

Tudo isso

Você nem aí

Minhas fantasias

Não me deixa achar que sou louca.

Podia ser leve

Podia ser bom

Podia ser divertido

Nada tão sério

Um sopro de vida

No teu ouvido

















sábado, 1 de agosto de 2020

Sobre o amor

Vivo pra o amor
Mas hoje isso (disseram
Tá fora de moda 

Pra amar é preciso perder
Não há garantias 

O amor é azul
Azul cobalto? 
Oceano profundo

Azul como o céu do sertão
Sem nenhuma nuvem 
Em tempo de seca

Ou seria como o céu do sertão 
Na primeira chuva
Acordando a terra fértil