Que o meu coração pudesse ser cristalino
para vocês verem tudo que se sente
amar de forma transparente, pleno de verdade, de amor transbordante
domingo, 20 de outubro de 2013
segunda-feira, 14 de outubro de 2013
quinta-feira, 26 de setembro de 2013
You are welcome to elsinore
Entre nós e
as palavras há metal fundente
Mário Cesariny
entre nós e
as palavras há hélices que andam
e podem
dar-nos morte violar-nos tirar
do mais fundo
de nós o mais útil segredo
entre nós e
as palavras há perfis ardentes
espaços
cheios de gente de costas
altas flores
venenosas portas por abrir
e escadas e
ponteiros e crianças sentadas
à espera do
seu tempo e do seu precipício
Ao longo da
muralha que habitamos
há palavras
de vida há palavras de morte
há palavras
imensas, que esperam por nós
e outras,
frágeis, que deixaram de esperar
há palavras
acesas como barcos
e há palavras
homens, palavras que guardam
o seu segredo
e a sua posição
Entre nós e
as palavras, surdamente,
as mãos e as
paredes de Elsenor
E há palavras
noturnas palavras gemidos
palavras que
nos sobem ilegíveis à boca
palavras
diamantes palavras nunca escritas
palavras
impossíveis de escrever
por não
termos conosco cordas de violinos
nem todo o
sangue do mundo nem todo o
amplexo do ar
e os braços
dos amantes escrevem muito alto
muito além do
azul onde oxidados morrem
palavras
maternais só sombra só soluço
só espasmo só
amor só solidão desfeita
Entre nós e
as palavras, os emparedados
e entre nós e
as palavras, o nosso dever falar
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Alvará de demolição
O que precisa nascer
aparece no sonho
buscando frinchas no teto,
réstias de luz e ar.
Sei muito bem
do que este sonho fala
e a quem pode me dar
peço coragem.
Adélia Prado
terça-feira, 24 de setembro de 2013
O Dragão
Mamãe contou ao acordar que sonhou comigo:
Eu e ela estávamos andando e encontrávamos um campo cheio de mini passarinhos de todas as cores.
Eram tão pequeninos que pareciam grilinhos, pousados no mato. Chegávamos mais perto e eles vinham para minhas mãos, tão bonitinhos. Mas então, apareceu uma galinha, e começou a bicá-los furiosamente. Que horror! Mamãe logo achou que a galinha confundiu os passarinhos com insetos. Com isso, fomos embora de lá. Seguindo a rua, mama avista uma grande serpente, me mostra. Oh! Na verdade se trata de um grande dragão chinês, voando sob o muro da casa da calçada oposta à que estávamos. Com o espírito protetor, mama me chama para corrermos o mais rápido possível para longe do monstro, mas eu, desobediente, faço justamente o contrário: atravesso a rua em direção ao dragão. Mama gritando pendido para que eu voltasse, mas eu respondo tranquilamente: Eu vou amansar ele. Ao se deparar com o bicho, ele não me ataca. Aliso suas escamas brilhantes e até que o dragão se transforma em um manso gatinho.
terça-feira, 27 de agosto de 2013
Eu queria trazer-te uns versos
Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Sua palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para os ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente de puro, ao
vento da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!
colhidos no mais íntimo de mim...
Sua palavras
seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para os ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel.
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube
o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente de puro, ao
vento da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!
Mario Quintana
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia...
A vida, assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana
A vida, assim, jamais cansa...
Viver tão só de momentos
Como essas nuvens do céu...
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
Mario Quintana
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
em iídiche
ele fala em russo
[amanha eu posso morrer]
ele não saberá
que nossas vidas são finitas?
ele fala em iídiche
[eu não consigo entender]
sua voz soa como
as notas do piano
ele fala por metáforas
de símbolos indecifráveis
ele não prometeu nada
quer só ser esquecido!
[amanha eu posso morrer]
ele não saberá
que nossas vidas são finitas?
ele fala em iídiche
[eu não consigo entender]
sua voz soa como
as notas do piano
ele fala por metáforas
de símbolos indecifráveis
ele não prometeu nada
quer só ser esquecido!
sábado, 10 de agosto de 2013
sexta-feira, 26 de julho de 2013
Corcel de prata
vi um cavalo branco
correndo na mata
cruzando o vento
como se fosse alado
contra o fundo azul
da escura noite
um brilho prateado
luzindo sob a lua
livre como o vento
o corcel de prata
correndo na mata
cruzando o vento
como se fosse alado
contra o fundo azul
da escura noite
um brilho prateado
luzindo sob a lua
livre como o vento
o corcel de prata
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