Terei que escrever aqui sobre outro sonho que tive faz uns dias.
Não tenho pressa pois já anotei em papel logo que acordei.
Mas depois. Agora não há tempo pra sonhar.
E nem tive São João.
Queria quadrilha e brincar com fogo.
sábado, 25 de junho de 2011
sábado, 7 de maio de 2011
Pessoa entende
"Por isso sê para mim materna, ó noite tranqüila...
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte..."
Tu, que tiras o mundo ao mundo, tu que és a paz,
Tu que não existes, que és só a ausência da luz,
Tu que não és uma coisa, rim lugar, uma essência, uma vida,
Penélope da teia, amanhã desfeita, da tua escuridão,
Circe irreal dos febris, dos angustiados sem causa,
Vem para mim, ó noite, estende para mim as mãos,
E sê frescor e alívio, ó noite, sobre a minha fronte..."
Apelo
Venham, apertem minhas mãos
me salvem de mim.
Sintam o perfume do pulso, estranho, que agora é meu.
Beijem minha testa,
beijem meu rosto.
Preencham a solidão
na vindoura madrugada.
me salvem de mim.
Sintam o perfume do pulso, estranho, que agora é meu.
Beijem minha testa,
beijem meu rosto.
Preencham a solidão
na vindoura madrugada.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Perdão
Mais um sonho.
Sei que foi o segundo de um sono povoado por ao menos três, e o único que ainda recordo um pouco.
Eu estava em uma casa grande, bagunçada, um pouco escura, quando apareceu um demônio e sua esposa. Tais criaturas não me puseram tanto medo quanto deveriam, me sentia desafiada, e ouvi atentamente suas propostas. Eu teria que cumprir tarefas, se não seria amaldiçoada à parmanecer para sempre naquela casa, ou no "limbo" (como no filme que assisti antes de dormir), ou... Enfim, algo de ruim me aconteceria por muito tempo. A última das provas era pedir perdão por três atitudes minhas. E assim eu fiz, me sentindo muito mais leve depois.
Mas perdoar não é divino?!
Sei que foi o segundo de um sono povoado por ao menos três, e o único que ainda recordo um pouco.
Eu estava em uma casa grande, bagunçada, um pouco escura, quando apareceu um demônio e sua esposa. Tais criaturas não me puseram tanto medo quanto deveriam, me sentia desafiada, e ouvi atentamente suas propostas. Eu teria que cumprir tarefas, se não seria amaldiçoada à parmanecer para sempre naquela casa, ou no "limbo" (como no filme que assisti antes de dormir), ou... Enfim, algo de ruim me aconteceria por muito tempo. A última das provas era pedir perdão por três atitudes minhas. E assim eu fiz, me sentindo muito mais leve depois.
Mas perdoar não é divino?!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
por quê quero tanto?
estrela auto-aprisionada
ninguém sabe, escrevo no escuro
condeno-me à solidão
pés amarrados, mãos amarradas,
vendaram-me a boca
só restaram os olhos que dizem tudo,
mas ninguém lê
então transbordam inúteis
lágrimas se perdem no infinito
e ainda espero um milagre
ainda acredito no invisível
estrela auto-aprisionada
ninguém sabe, escrevo no escuro
condeno-me à solidão
pés amarrados, mãos amarradas,
vendaram-me a boca
só restaram os olhos que dizem tudo,
mas ninguém lê
então transbordam inúteis
lágrimas se perdem no infinito
e ainda espero um milagre
ainda acredito no invisível
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Romance sonâmbulo
Verde que te quero verde.
Verde vento. Verdes ramas.
O barco vai sobre o mar
e o cavalo na montanha.
Com a sombra pela cintura
ela sonha na varanda,
verde carne, tranças verdes,
com olhos de fria prata.
Verde que te quero verde.
Por sob a lua gitana,
as coisas estão mirando-a
e ela não pode mirá-las.
(...)
Lorca
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Violino
Lembro que na primeira aula a professora perguntara:
Por que escolhestes este instrumento?
Não soube responder, disse apenas que achava o som que produzia bonito.
Mas ao chegar em casa percebi qual era a resposta.
O violino faz brisa de primavera, neblina suave e tempestade.
Cântico dos anjos e a mais baixa fúria
Seu som me acorda e rasga
Brilha o vermelho da madeira envernizada
O arco passa nas cordas.
Passa nas cordas e em meu pulso
Corta
Pinga o vermelho na madeira envernizada
Violino de sangue e amor
Por que escolhestes este instrumento?
Não soube responder, disse apenas que achava o som que produzia bonito.
Mas ao chegar em casa percebi qual era a resposta.
O violino faz brisa de primavera, neblina suave e tempestade.
Cântico dos anjos e a mais baixa fúria
Seu som me acorda e rasga
Brilha o vermelho da madeira envernizada
O arco passa nas cordas.
Passa nas cordas e em meu pulso
Corta
Pinga o vermelho na madeira envernizada
Violino de sangue e amor
domingo, 30 de janeiro de 2011
Perigo
Quando o sonho ultrapassa o sono
Não deixa penetrar a luz do dia
A ânsia
Insistir no que não existe
O grito abafado
Palavras que nunca serão ditas
Não deixa penetrar a luz do dia
A ânsia
Insistir no que não existe
O grito abafado
Palavras que nunca serão ditas
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Estava tão verde
"Olhando o mar, sonho sem ter de quê.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!"
Fernando Pessoa, 20/01/1933.
Nada no mar, salvo o ser mar, se vê.
Mas de se nada ver quanto a alma sonha!"
Fernando Pessoa, 20/01/1933.
Assinar:
Postagens (Atom)