domingo, 30 de março de 2025

6 anos

Fui embora

Mas ficou parte de mim


terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Covardia ou sensatez?

Fico sempre na eminência de te dizer

E desisto.



segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Reveillon

No último dia do ano

parecia que eu havia engolido cacos de vidro.

O que me arranhava a garganta?

O que estava preso e não me deixava engolir?

O que arranhava, engasgava, doía?

eu não pude te dizer

eu te perdi?



quarta-feira, 25 de dezembro de 2024

"Na minha casa tá sobrando espaço 

Tirei de mim um pedaço

E guardei só pra você"

quinta-feira, 21 de novembro de 2024

Já é novembro - 2

Essa secura 

Meus lábios rachados

Rajadas de vento e poeira 

Você tão distante 

Já é novembro

Ansiar a chuva

Sonhar com a chuva

A chuva não veio.

quinta-feira, 14 de novembro de 2024

Mas se teus olhos faiscavam

Eram meus olhos apaixonados que os viam assim?


sábado, 26 de outubro de 2024

Nunca te esquecerei 

Apesar da tua indiferença.

Posso esquecer teu rosto,

Teu corpo, tua voz,

Mas não o teu olhar. 

É que pensar em ti 

Me faz recordar 

Algo de quem sou.



segunda-feira, 9 de setembro de 2024

Os cúmplices


Te dizia na carta
que juntar quatro versos
não era ter o passaporte para a felicidade
carimbado no bolso,
e outras coisas mais ou menos sérias
como te dando a entender
que desde antigamente sou tua cúmplice
quando baixas aos arsenais da noite
e pões toda tua alma
e tens a respiração
perfeitamente controlada,
para manter em pé tuas rebeliões
tuas milícias secretas
ao custo desse tempo perdido
em comer-te as unhas, em manter balizadas
tuas palpitações,
em golpear-te o peito por conta dos
pesadelos,
e não sei quantas coisas mais
que, francamente, te gastam a saúde
quando no fundo
sabes que estou contigo
embora não te veja
nem tome café da manhã em tua mesa
nem minha cabeça amanheça em teu peito
como uma criança com frio,
e isso
nem se precisa escrever.
 
 Delia Dominguez
 

quinta-feira, 5 de setembro de 2024

Convite à viagem

Quando iremos ao mar,

tu e eu, juntos e sós?,

quando poderemos ir ao mar?, poderemos?,

iremos algum dia tu e eu ao mar?

Não conheço a areia entre os teus dedos, 

nem o cheiro de protetor solar nos teus ombros,

não ouvi contigo o rumor das ondas 

e não beijei o sal nos nossos lábios. 

Não sei o que é ficar

calada, a teu lado, a olhar o horizonte.

Não vi o mar contigo.

Não sei o que é o mar.

 

Amalia Bautista