sexta-feira, 5 de abril de 2019

à luz da luz que parte

À luz da luz que parte
Vemos melhor, de facto,
Que à do pavio que fica.
Há algo na partida
Que a visão clarifica
E os raios aviva.
Emily Dickinson

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Luto

Eu senti como se alguém tivesse morrido
Mas quem morreu ?
Eu mesma. Eu morri
Escolhi morrer
E o pior, uma morte tão prematura
Dois anos e meio,
Mal tinha aprendido a andar e falar
Parti
Ninguém me ouviu cantar
Ninguém me viu chorar
E velei o meu próprio luto

terça-feira, 26 de março de 2019

como se...

como se te perdesse
como se te tivesse
como se houvesse
algo além
de olhares e acenos

dalguma cumplicidade cotidiana
daquela despedida ávida
de quem não quer se despedir

como se fosse a última chance
como se fosse o final dos tempos
como se fosse o agora ou nunca

como se fosse o máximo que pudesse

28/2

Partir

porque partir é como morrer
é se deixar esquecer
desaparecer
desse cotidiano
por isso insisto,
escrever
vã tentativa de permanecer

e quando apagarem
as letras das paredes
ainda lembrarás?

quinta-feira, 21 de março de 2019

A Tempestade

Relâmpagos?
não refulgem tão intensos
quanto teu olhar

Trovões?
não ressoam tão alto
quanto meu coração

21/3

Quando a chuva não cessa a seca

choveu
mas não nos molhamos
nos esquivamos
no abrigo frio
e seguro

choveu
mas nos protegemos
não ousamos encarar
a tempestade
o estrondo faiscante
no encontro do olhar

choveu
e a caatinga já florescia
mas a gente permanecia
como se a seca fosse matar

quinta-feira, 14 de março de 2019

Dez Chamamentos ao Amigo - fragmentos

II
Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que nosso tempo é agora.
Esplêndida avidez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora

Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

III
Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria do meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia

E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo

Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga

E amavio contente o amor teria sido

X
[...]
É como se a despedida se fizesse o gozo
De saber
Que há no teu todo e no meu, um espaço
Oloroso, onde não vive o adeus.
 

[...]
II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

III

Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria do meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=829 © Luso-Poemas
II

Ama-me. É tempo ainda. Interroga-me.
E eu te direi que o nosso tempo é agora.
Esplêndida altivez, vasta ventura
Porque é mais vasto o sonho que elabora
Há tanto tempo sua própria tessitura.
Ama-me. Embora eu te pareça
Demasiado intensa. E de aspereza.
E transitória se tu me repensas.

III

Se refazer o tempo, a mim, me fosse dado
Faria do meu rosto de parábola
Rede de mel, ofício de magia
E naquela encantada livraria
Onde os raros amigos me sorriam
Onde a meus olhos eras torre e trigo
Meu todo corajoso de Poesia
Te tomava. Aventurança, amigo,
Tão extremada e larga
E amavio contente o amor teria sido.

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news03/article.php?storyid=829 © Luso-Poemas

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Sede lll

Eu já pressentia
Teu olhar que me sorria
Quando acaso te encontrar
E o sorriso que dizia
Tudo sem sequer falar.

23/01/19

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

eu você e o mar

queria que você me visse como o mar
que não se apreende de um vez
em um único olhar
e a cada olhar os pormenores
mais vontade dá de mergulhar 

descobrir o que é que há
nesse mistério imenso
desejar a delícia do corpo
no calor de minhas águas

me perceber de olhos fechados,
como na brisa o cheiro de maresia

em dia de calmaria 
lamber suave teus pés,
teus tornozelos,
depois te derrubar, intensa
sobre teu corpo inteiro
feito as ondas na maré cheia


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Enquanto a chuva não desaba sobre nós

Tensão
Tesão
calor
abafado
pesadas nuvens cinzentas
ar parado
relâmpago
trovejadas
E no entanto
esse chove não molha
Tesão
Tensão