Põe-me as mãos nos ombros...
Beija-me na fronte...
Minha vida é escombros,
A minha alma insonte.
Eu não sei por quê,
Meu desde onde venho,
Sou o ser que vê,
E vê tudo estranho.
Põe a tua mão
Sobre o meu cabelo...
Tudo é ilusão.
Sonhar é sabê-lo.
Fernando Pessoa
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
terça-feira, 6 de setembro de 2011
Personagem
" [...]
Meus sonhos viajam rumos tristes
e, no seu profundo universo,
tu, sem forma e sem nome, existes,
silêncio, obscuro, disperso.
Teu corpo, e teu rosto, e teu nome,
teu coração, tua existência,
tudo - o espaço evita e consome:
e eu só conheço a tua ausência.
Eu só conheço o que não vejo.
E, nesse abismo do meu sonho,
alheia a todo outro desejo,
me decomponho e recomponho."
Cecília Meireles, in 'Viagem'
Meus sonhos viajam rumos tristes
e, no seu profundo universo,
tu, sem forma e sem nome, existes,
silêncio, obscuro, disperso.
Teu corpo, e teu rosto, e teu nome,
teu coração, tua existência,
tudo - o espaço evita e consome:
e eu só conheço a tua ausência.
Eu só conheço o que não vejo.
E, nesse abismo do meu sonho,
alheia a todo outro desejo,
me decomponho e recomponho."
Cecília Meireles, in 'Viagem'
domingo, 4 de setembro de 2011
sábado, 3 de setembro de 2011
Morte e fuga
Alemanha, inicio da década de 1940. Lembro que eu trajava um sobretudo cáqui e o dia estava frio e claro, a luz transpassava a poeira em meio aos destroços na rua, quando me capturaram. Me levaram para um edifício cinzento de uns seis andares, de arquitetura pesada e sóbria, que parecia representar o aspecto daqueles que estavam lá em seu interior. Subimos ao segundo andar. O medo me dominava, não sabia o que fariam comigo. Chegam alguns e falam palavras que não compreendo olhando em minha direção, imagino que decidindo o que me reservava. Um homem alto de feição grosseira e hostil , vestido como médico, chega e levanta meu rosto com força, puxa minhas pálpebras e passa uma pequena lanterna em frente aos meus olhos, depois soa uma espécie de sino junto ao meu ouvido direito. Ele executa todos esses procedimentos rapidamente, enquanto isso, tento entender o que ocorre, submissa e assustada como um animalzinho, até que vejo uma enfermeira passar de uma sala para outra com uma mulher numa cadeira de rodas em estado deplorável, extremamente magra e parecia não ter mais consciência de si mesma, seus olhos se perdiam num vazio sem órbita. Daí em diante, meu pensamento passa a ser um só: tenho que fugir. Mas como? O lugar tinha paredes de uns quarenta centímetros, suas janelas retangulares possuíam grades de ferro, e a escada e a porta principal sempre bem vigiados. Presumo que se continuasse aí eu teria uma morte lenta e dolorosa. Penso em explicar que só meu avô era judeu, mas percebo que não faria a menor diferença, talvez até piore minha situação, afinal, quem se importará com o grau de minha ascendência? Já identificaram meu sobrenome. Vejo um enfermeiro passar com outra pessoa em cadeira de rodas. Dessa vez, um rapaz parecendo saudável, entretanto, não se via seus olhos, estavam vedados com curativos. Penso em descer as escadas, mas logo elimino a ideia. Lembro que as janelas dos últimos andares, invés de grades, eram fechadas só com telas metálicas. Então vislumbro a solução, irei arrancar as telas e me arremessar do alto do edifício. Antes uma morte rápida, do que uma morte lenta, dolorosa e desumana, que é a que terei se continuar onde estou. Meu plano não é perfeito, o prédio não é tão alto, ainda posso ter o azar de não morrer na queda e obviamente não ficaria em condições de fugir, seria recapturada e sofreria as piores punições. Observo, mesmo o acesso aos pavimentos superiores são vigiados. Tenho que ser cautelosa ao ir em busca da liberdade que anseio- a morte. Tento aparentar alguém desinformada e obediente, ao passo que vou me inteirando dos horários e costumes dos vigias, enfermeiros e médicos. Tento subir a escada, primeiros degraus, prendo a respiração e vou de pontas de pés. Ouço passos, volto à tempo, antes que me vejam. Perambulo de lado a outro a esperança sufocando, até que me viro e... Surpresa, a escada estava desimpedida! Corro sobre todos os degraus, sem olhar para trás, como num voo de passarinho que escapa da gaiola, tudo vira um borrão. A luz da porta vai se aproximando, até que me ofusco- estou livre! Sigo correndo sobre a rua estática de silêncio deserto, poeira, ofegante: estou salva.
Claro, foi um sonho. Não sei o dia exato, lá pela terceira semana de agosto.
Claro, foi um sonho. Não sei o dia exato, lá pela terceira semana de agosto.
sábado, 27 de agosto de 2011
sábado, 20 de agosto de 2011
A tradução do que escrevi na madrugada passada
19/08 4h
Mais uma vez escrevo no escuro
E não enxergo nem minhas próprias letras
Acordada de sobressalto em mais uma madrugada
-Vê o céu estrelado
Te conto o que vejo através da janela
como se assim te trouxesse para perto
O som do mar se confunde com minha respiração opressa
No sono o espírito se liberta
Meu corpo se limita quando estou desperta
então conto meus sonhos
Escrevo para que sintas minha noite
E se agora dormes, sopro um pouco de mim pela brisa fria
que te chegará mais sincero que essas palavras
Então, sonhas com ternura
e não busca significados
Apenas sente
19/08 4h
Mais uma vez escrevo no escuro
E não enxergo nem minhas próprias letras
Acordada de sobressalto em mais uma madrugada
-Vê o céu estrelado
Te conto o que vejo através da janela
como se assim te trouxesse para perto
O som do mar se confunde com minha respiração opressa
No sono o espírito se liberta
Meu corpo se limita quando estou desperta
então conto meus sonhos
Escrevo para que sintas minha noite
E se agora dormes, sopro um pouco de mim pela brisa fria
que te chegará mais sincero que essas palavras
Então, sonhas com ternura
e não busca significados
Apenas sente
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Fim de tarde
Hoje escrevo cedo, antes da embriaguez da madrugada, se não acabaria adiando mais uma vez.
(Vai agora e vê o céu, um dos poentes mais belos).
O sonho do dia 21 de junho - sobre queda, pianos e abraço.
Vou caminhando na Rua das Trincheiras, é uma manhã agradável, e estou acompanhada de minha irmã e de tua irmã. Entramos numa das casas em frente à balaustrada. Casarão amplo, nossa conversinha leve, deixo as meninas batendo papo e vou investigar o que há nos outros cômodos. Subindo no primeiro pavimento, me deparo com uma sala ampla, bem iluminada por janelas estreitas e compridas voltadas para o jardim, acho que dessa sala tem as portas do lado direito e esquerdo para os quartos principais. Reparo que seu assoalho é em dois tipos de madeira (uma escura e outra clara) desgastado e danificado por cupins. Me vem novamente uma vertigem (já tinha sentido agora à pouco, comentei com as meninas), mas está ficando mais forte, minhas mãos estão geladas, suo frio. A vista um pouco embaçada, mas algo me chama, tenho que atravessar a sala e olhar pela janela. Então sigo, alguns passos vacilante e... Estralo da madeira seca, o chão cede aos meus pés. Estou caindo como em câmera lenta, penso que as meninas podem se preocupar, onde ponho minhas mãos pendentes? Vista turva, vou caindo, próximo ao chão e... Cadê o baque? Atravesso o assoalho do térreo, a casa possui porão, agora caio em um ambiente escuro, boto as mãos nas costas, para proteger a coluna, e finalmente chego ao fim, ao chão. As meninas escutaram o estrondo, vêm correndo, mas foi tudo leve, como se só estivesse chegando à níveis mais profundos e desconhecidos de minha própria consciência.
Como se nada tivesse acontecido, cá estou novamente, e tento explicar para as duas mais ou menos o que aconteceu. Bem, nem eu mesma sei ao certo, elas não vão compreender... Vamos caminhando pela rua, entramos noutra casa, não um palacetezinho eclético como a outra, essa é moderna, será dos anos 1960? Decoração bem preenchida, muitos móveis, armários cheios, bibelôs. Encostado próximo à parede, no centro da sala, um piano me chama atenção. É de uma madeira clara alaranjada, e parece antigo, pés trabalhados, como posso definir? Estilo vitoriano? Tipo armário, invés de cauda. Vejo que na estante ao seu lado tem um pianinho infantil. Então você aparece, como se estivesse acordado agora, ou será que já sabia da nossa presença aqui? Então me viro, me cubro com a camiseta...
Continuando
Eu estava de costas conversando com as meninas bem à vontade, e teu surgimento me deixa sem saber como agir. Pego a camisa, ou o travesseiro, tanto faz, dou mais dois passos e simplesmente te abraço. E o tempo para por breve instante.
E tudo volta, conversamos, pergunto do piano, quem é que toca nesta casa? Ah, é você?! Sim, vejo que desde pequenininho (olhando para o pequeno piano na estante).
(Vai agora e vê o céu, um dos poentes mais belos).
O sonho do dia 21 de junho - sobre queda, pianos e abraço.
Vou caminhando na Rua das Trincheiras, é uma manhã agradável, e estou acompanhada de minha irmã e de tua irmã. Entramos numa das casas em frente à balaustrada. Casarão amplo, nossa conversinha leve, deixo as meninas batendo papo e vou investigar o que há nos outros cômodos. Subindo no primeiro pavimento, me deparo com uma sala ampla, bem iluminada por janelas estreitas e compridas voltadas para o jardim, acho que dessa sala tem as portas do lado direito e esquerdo para os quartos principais. Reparo que seu assoalho é em dois tipos de madeira (uma escura e outra clara) desgastado e danificado por cupins. Me vem novamente uma vertigem (já tinha sentido agora à pouco, comentei com as meninas), mas está ficando mais forte, minhas mãos estão geladas, suo frio. A vista um pouco embaçada, mas algo me chama, tenho que atravessar a sala e olhar pela janela. Então sigo, alguns passos vacilante e... Estralo da madeira seca, o chão cede aos meus pés. Estou caindo como em câmera lenta, penso que as meninas podem se preocupar, onde ponho minhas mãos pendentes? Vista turva, vou caindo, próximo ao chão e... Cadê o baque? Atravesso o assoalho do térreo, a casa possui porão, agora caio em um ambiente escuro, boto as mãos nas costas, para proteger a coluna, e finalmente chego ao fim, ao chão. As meninas escutaram o estrondo, vêm correndo, mas foi tudo leve, como se só estivesse chegando à níveis mais profundos e desconhecidos de minha própria consciência.
Como se nada tivesse acontecido, cá estou novamente, e tento explicar para as duas mais ou menos o que aconteceu. Bem, nem eu mesma sei ao certo, elas não vão compreender... Vamos caminhando pela rua, entramos noutra casa, não um palacetezinho eclético como a outra, essa é moderna, será dos anos 1960? Decoração bem preenchida, muitos móveis, armários cheios, bibelôs. Encostado próximo à parede, no centro da sala, um piano me chama atenção. É de uma madeira clara alaranjada, e parece antigo, pés trabalhados, como posso definir? Estilo vitoriano? Tipo armário, invés de cauda. Vejo que na estante ao seu lado tem um pianinho infantil. Então você aparece, como se estivesse acordado agora, ou será que já sabia da nossa presença aqui? Então me viro, me cubro com a camiseta...
Continuando
Eu estava de costas conversando com as meninas bem à vontade, e teu surgimento me deixa sem saber como agir. Pego a camisa, ou o travesseiro, tanto faz, dou mais dois passos e simplesmente te abraço. E o tempo para por breve instante.
E tudo volta, conversamos, pergunto do piano, quem é que toca nesta casa? Ah, é você?! Sim, vejo que desde pequenininho (olhando para o pequeno piano na estante).
Meio dia
Acordei de madrugada
Tocar os pés no chão frio, a pele arrepiava
Sim, as plêiades estavam no alto.
O mar bravo, som de ondas no fluxo influxo incessante.
Tocar os pés no chão frio, a pele arrepiava
Sim, as plêiades estavam no alto.
O mar bravo, som de ondas no fluxo influxo incessante.
***
Assinar:
Postagens (Atom)
